Notícias:

Piso dos carros brasileiros já é 100% PET
Sábado - 28 de Fevereiro de 2009 às 00:04 hs

Antes associadas exclusivamente à produção de camisetas e bolsas ecologicamente corretas, as garrafas PET recicladas no país avançam sobre outra área: a indústria automobilística. O produto está em praticamente 100% dos carros produzidos hoje no Brasil e já é exportado para a Argentina. Por enquanto, o poliéster de PET reciclada é utilizado em todo o carpete que reveste o assoalho do veículo, incluindo porta-malas. As montadoras não revelam detalhes, mas, em nova etapa de desenvolvimento que está muito próxima de ser implantada, a PET reciclada vai revestir portas, teto e outras partes.

O apelo ambiental é um ponto forte. Mas no caso da indústria automotiva, um setor que trabalha em sistema "just-in-time", pesa mais disponibilidade e preço de qualquer matéria-prima. Se não usasse a garrafa reciclada, o fabricante de carpete do carro teria que importar a fibra virgem.

"No Brasil simplesmente não existe a opção de não usar a PET", diz a engenheira Rosi Scorcioni, da Ober, fornecedora da indústria automobilística dos chamados não-tecidos feitos a partir da fibra reciclada. "Primeiro, porque o polímero virgem precisa ser importado; segundo, porque existe muita matéria-prima [garrafas] aqui; e, terceiro, porque a fibra reciclada não perde nenhuma característica em relação ao polímero virgem", enumera.

As montadores parecem satisfeitas com o resultado. A Renault usa o poliéster reciclado desde que inaugurou a fábrica brasileira, em São José dos Pinhais, no Paraná, em 1998. Vicente Moura, chefe de engenharia da empresa, diz que o produto foi submetido a inúmeros testes de resistência - de elevadas temperaturas ao atrito do salto alto em formato de bico dos sapatos femininos. Passou em todos, incluindo o que o deixou sob uma temperatura de 90° C durante 22 horas.

Rosi, da Ober, lembra a surpresa das montadoras francesas quando chegaram ao Brasil. "Eles vieram para cá querendo o mesmo brilho do tapete produzido pelas demais fábricas; teríamos que reproduzir exatamente o padrão europeu", conta. "Expliquei que o brilho seria diferente por conta da nossa matéria-prima. Foi aí que souberam que fazemos carpetes de garrafas recicladas".

Luís Bittencourt, gerente comercial da M&G Fibras Brasil, do grupo Mossi & Ghisolfi, explica que a "solidez da cor e a resistência fizeram com que a indústria automotiva olhasse com outros olhos para o poliéster reciclado". A M&G é uma das três empresas que coloca atualmente no mercado a fibra reciclada, ao lado da Ecofabril e da Unnafibras Têxtil.

Essas empresas compram as garrafas das cooperativas e vendem a fibra para empresas como a Ober, que, por sua vez, vende as placas de carpete para outro fornecedor, que as montam no formato do carro. Esse último é quem fornece às montadoras.

Segundo os especialistas, as garrafas podem sem usadas independentemente de serem coloridas ou transparentes. A grosso modo, um carro pequeno, como o Sandero, da Renault, necessita de 2,7 quilos de fibra reciclada. Isso equivale dizer que 60 garrafas de dois litros são utilizadas no piso do veículo, já que um quilo de fibra equivale a 22 garrafas.

Com uma produção total de 3 milhões de automóveis e veículos comerciais leves em 2008, é possível estimar que a indústria automobilística no país absorveu cerca de 200 milhões de PET no mesmo período - quase 5% do total de PETs reciclado anualmente no Brasil. É uma destinação importante para uma matéria-prima ainda malvista por alguns. "Existe preconceito com garrafas plásticas por parte dos consumidores brasileiros", admite Hermes Contesini, responsável pelas relações com o mercado da Associação Brasileira da Indústria de Pet (Abipet).

Até agora o uso do produto estava limitado ao revestimento do assoalho e do porta-malas por serem áreas onde se pode utilizar um produto mais rústico. Já a confecção dos revestimentos de bancos e portas precisa levar em conta toque e composição de cores, lembra o gerente executivo de planejamento e desenvolvimento de produto da Volkswagen, Antonio Carnielli Filho.

Mas a indústria do PET está prestes a romper essa barreira. "Estamos concluindo um trabalho de desenvolvimento que está muito próximo de uma implementação", diz o supervisor de engenharia da Ford, Celso Duarte, sem revelar nenhum detalhe sobre qual parte do carro vai receber a fibra da garrafa reciclada.

Rosi, da Ober, cita outras partes que devem logo entrar para a lista de itens de PET reciclada dos veículos brasileiros: o revestimento antiruído do motor (o feltro passaria a ser de PET), capas de bateria e também a fita que amarra o chicote elétrico.

As garrafas recicladas vão equipar também carros fabricados na Argentina. Empresas como a Ford - que começou a usar o produto paulatinamente e hoje já o utiliza em toda a linha - usa essa fibra nas fábricas do país vizinho. No caso, a linha de montagem argentina é abastecida diretamente por fornecedor brasileiro. De acordo com Duarte, a Ford também já começou a trabalhar no desenvolvimento do uso da fibra da PET em caminhões.

Se para os brasileiros a utilização do material usado começa a se tornar comum, a iniciativa surpreende os executivos que comandam as matrizes dessas multinacionais. Nos Estados Unidos é mais comum ver trabalhos de reciclagem da PET em veículos, segundo Duarte, da Ford. "Mas os alemães não acreditavam quando perceberam que a composição que obtivemos é a mesma de uma fibra natural", conta Carnielli, da Volks, que começou a estudar o uso da PET em 2000.

O setor automobilístico ganhou peso no portfólio de fornecedores. De acordo com a Abipet, a maior parte da produção de fibra de poliéster reciclado ainda vai para o setor têxtil. "Mas a indústria automobilística vem, sem dúvida, ganhando participação", afirma José Trevisan Jr, diretor da Unnafibras Têxtil. Segundo o executivo, 20% de sua produção de fibras recicladas - cerca de 6 mil toneladas por ano - é destinada, hoje, exclusivamente às montadoras.

Fonte: Valor Online - 11/02/2009

Leia também...

Mais de 30 mil garrafas pet viram decoração de Natal em Araxá, MG.
Camisa da Copa é feita com garrafas PET
Minas não recicla garrafas PET
A estilista dos fios de garrafa pet
Pastor constroi igreja utilizando 10 mil garrafas pet

Voltar Topo Home

Atenção: Nossa empresa está registrada no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas - CNPJ, portanto emitimos Nota Fiscal. Várias prefeituras já aderiram a esta ideia. Faça parte deste grupo você também!!!
Este site aceita pagamentos com Visa, MasterCard, Diners, American Express, Hipercard,
Aura, Bradesco, Itaú, Unibanco, Banco do Brasil, Banco Real, saldo em conta PagSeguro e boleto.

Vassoura PET - Amiga da Natureza.
© Copyright 2008/2018 - Todos os direitos reservados.
E-mail: alvairsilveira@gmail.com - Telefone: (32) 3212-5526 (Sr. Alvair, após as 18:00 hs).

Novo telefone de contato com WhatsApp:
(32) 99918-7350